Cartas para Daniel – Último

IV. Último

Caro Daniel,

Boa tarde, bom dia e boa noite.
Esta é a última carta que escreve para si mesmo e não há uma trilha sonora de fundo para o riscar da caneta no papel. Paremos de ser poéticos.
Hoje você parou para pensar um pouco e é possível que já tenha o bastante escrito em seus romances e seja tempo de um hiato sem data de volta. As palavras quando ficam soltas demais são sinais de que querem um pouco se desgarrar. Deixe-as descansar dentro de você ou ao longe.
Espero que plante uma árvore, escale uma montanha e dê muitos beijos sem café ou após escovar os dentes. Daniel, você é hermético. Liberte-se.
Nada pairará ao seu bel prazer e não terá sua razão reconhecida em tudo.
Ande pelo mundo e se aproprie dele. Você é parte dele. Não chore. E não tenha medo. As ondas do mar são bonitas demais para serem vistas de tão perto. Às vezes, a beleza dói.
Afaste-se, tome impulso e suspenda seus pés do chão. Torne a pisar a terra de novo e esprema seus dedos no solo. Terra, voltar a terra, voltar ao chão, no melhor sentido.
As energias vão e voltam para o centro. Suspenda-se, volte ao chão, respire. Não chore.
Boa tarde, bom dia e boa noite.

Tome um suco de maçã.

Um beijo,
Daniel.

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