Cartas para Daniel

I. Caro Daniel,

Caro Daniel,

Passou mais um ano e você ainda não aprendeu a amar. Já passa de duas décadas que é assim e você ainda não aprendeu. Você decora músicas, faz letras – suas próprias versões – para alguns sucessos da parada americana e conta os poemas que encheram os cadernos. Mas aprender a amar, não.

Sua obra faz sucesso entre adolescentes tentando ganhar vocabulário. Fato que ser recomendado entre seis de dez escolas da rede privada, já o torna um escritor de sucesso.

Daniel, você comprou presentes da última vez e acolheu nos braços o choro por alguém que não era você. Isso não é amor. Isso é humanidade, pelo conceito geral.

Você respeitou os animais, mesmo não gostando tanto assim deles. E isso foi humanidade de novo. Você é um ser racional e sabe da necessidade do equilíbrio da natureza.

Uma vez mais, você acolheu nos braços, afagou e foi terno. Não amou.

Suas lágrimas foram produto da trilha sonora tocante do filme de ontem à noite. Não teve abraço, beijo, bom dia no dia seguinte. Você foi tocado por uma obra de arte e ela cumpriu seu papel, tocou um espectador. Você se inebriou, não amou.

Enquanto escreve essa carta para si mesmo, não está aprendendo. Não há risco. Há uma pretensa auto-piedade. Isso é crueldade, não é amor. Alguns provavelmente o chamem de patético, ridículo. Mas como o amor é ridículo, e você ainda não sabe o que é o amor, deverá ser apenas tolo.

Até a próxima, Daniel.

Tome seu café.

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