Sensatez

Sensatez

Sensatez é coisa que falta quando nos deixamos levar pelas paixões. A verdade é que quando é só uma paixão, passa. Já teria passado. Vou ser honesto, talvez seja amor. Não, para ser mais claro, é amor e não há o que se fazer contra. Curioso só é que agora eu consigo escrever por aqui sem os olhos cheios d’água, o que seria o mais comum.

Deve ser por que hoje eu já chorei. E não é vergonha nenhuma dizer isso. Machuca de verdade saber que você está do outro lado e que nem se incomode com qualquer coisa que eu faça. Provável que se eu te mandasse para qualquer lugar que fosse um palavrão que aqui não precisa ser dito ou juntasse todos eles e dissesse pra você, e você nem moveria uma única linha de expressão no seu rosto.

Eu sei que o vai daqui pra aí, não vem daí pra cá. E já era tempo de eu simplesmente sossegar ou agitar me jogando nos prazeres todos da vida. Não que eu não deva fazer isso. Penso que sim, apesar de não parecer tão fácil. Impossível amoldar sentimentos, sensações. Eles vêm mesmo que não se queira, é sempre assim. O fato, porém é que ninguém quer se acostumar a sentir dor e conviver com a própria sombra. Duas sombras ficam tão mais bonitas quando projetadas. Sim, eu idiotamente sou romântico. Está bem que para alguns não seja um erro. Enfim, faltam algumas palavras e sobram outras.

Meu ombro está doendo e só pode ser resultado de tencioná-lo por vezes sem nem saber.

Sua beleza é tão grande – foi o que me ocorreu agora. Seus olhos nunca sorriram pra mim, eu acho. Mas já os vi com o brilho mais bonito deste mundo pra outro alguém. E nessa parte é impossível dizer que quanto a isso tudo bem. Eu queria que olhasse igual pra mim. E é penoso parecer ter pena de si mesmo. Isso nunca ajuda.

Estou numa tentativa blasé para parecer blasé ou continuar blasé. Raiva me dá sim quando te imagino tendo prazeres que não quis que eu te desse. Parece-me que você não sentiria prazer em mim. Como eu disse antes, seu olhar nunca brilhou tão bonito pra mim. E não há o que fazer.

Meus olhos estão pesando, porém por cansaço. Ficaria eu horas divagando por você, o que não devo.

É preciso desabafar para não se conter por inteiro e virar um comprimido inanimado. Há de haver sempre música e voz para tentar cantar. Há de haver sempre você com ou sem música e tentarei passar como quem passa por uma vitrine e nem se lembra do nome da marca depois.

Eu cantaria agora pra você dormir. Todavia me atina que você não durma tão cedo por hoje e não quero pensar no por quê. Embora nesse instante, levemente eu tenha pensado e uma lágrima quase brotasse de meu olho esquerdo.

Quem disse que eu não te amo mais?

 David Felipe

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