TRÊS – III. Vem

III – Vem

MARCELO
Assim como devem ter notado, eu sou um dos protagonistas desta história e nada mais justo que o primeiro post em primeira pessoa ser o meu, o mais famoso dos três. O autor cismou em por uma garotinha desesperada por mim e um manezinho que eu descubro neste capítulo. Inteligência às vezes me atrai, se é que me entendem. Não, eu não estou aqui para quebrar tabus. Vou avisando que eu simplesmente vivo.
– Nada, Doug. Ia ser coincidência demais o mané que estava perturbando nossa chegada estar na mesma balada que a gente.
– Te falando. Eu reparei quando ele xingou.
– Beleza?
– E você cumprimenta?
– Por que não, Doug? Beleza, cara?
– Eu te conheço…?
– Ainda não. Quer dizer, talvez. Ou, com certeza. Eu não sou tão comum assim – e ri alto.
– Ah, você deve ser amigo da Paty, minha colega da faculdade. Ela vive levando uns amigos malas nas festas de lá.
– Amigo mala? Então não sou eu, mané!
– Putz, velho. Fica de boa aí. Não posso com subcelebridades.
– Você me conhece, então.
– O comercial de sorvete. O único que você fez.
– Olha, Doug. Está sabendo bem para me achar um mala.
– Chega, Celo! Bora circular.
– Ok, bora.
– Sobre o comercial de sorvetes, quem é que tinha a nossa idade que não colecionou os benditos palitos com os desenhos tribais? Difícil de esquecer. Ah, e não vá tropeçar. Esses óculos vão acabar te fazendo cair.
– Obrigado, mané!
– Pode chamar de João.
– Johnny! – e ri alto, de novo.
– Bora, Celo!
– Vai que o amigo já está enciumado.
O mané era inteligente, de fato. Em poucos minutos de conversa e já tinha uma boa visão da situação. Mané, mas interessante.
– Eu vou até lá, Doug.
– Como assim?
– O mané não merece ficar sozinho na balada.
– E eu? Vou ficar…
– A galera do Luqinhas liberou nosso acesso ao camarote. Vai lá que eu apareço daqui a pouco.
– E aí, mané, curtindo a balada sozinho?
– Pois é. Mas pode chamar de João, como eu já te falei. E dá uma circulada aí. Não vai passar de “sub” se continuar conversando com estranhos e comuns.
Para não continuar gritando em meio à música alta, aproximei-me mais de seu ouvido para continuar falando.
– Estou de boa – quis ele se afastar.
– Eu também. Tranquilo.
– Mané.
– Mala! Se liga.
– Vem.
Um beijo roubado, e o cara sumiu no meio da galera.
Quem deixa Marcelo S. falando?

(Continua)

David Felipe

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