Se se morre de amor – Capítulo VIII

 

Capítulo VIII

Gab encontrou Lucas caído no chão do banheiro perto de um vidro de comprimidos vazio, só com uma bermuda, o par de chinelos perto do corredor virados para baixo e algumas fotos de Amanda espalhadas pelo chão. Gab me chamou logo e ainda pude ver q eu acabo de descrever, chorando eu como um menino. Não deixo de sublinhar isso porque chorei não só pelo óbvio, como também pela raiva de vê-lo naquele estado de novo, tentando ir-se de vez. Será que se morre de amor? Eu não concordo que deva ser assim.

– Sente o pulso dele logo – disparei.

– Vivo, ele está – checou Gab.

– Vamos.

Juntos, o levantamos do chão e corremos para o hospital. Dessa vez chamamos seus pais. Lucas ainda chegou desacordado ao hospital e disparamos para o pronto-socorro desesperados para que a ajuda chegasse logo. Os pais de Lucas chegaram depois, quando ele já estava fora de perigo. Pelo que pude entender, não havia muito que ele havia ingerido os comprimidos e puderam ser realizados os procedimentos para que ele continuasse conosco.

Assim como era de se esperar, fomos chamados de irresponsáveis pelos pais de Lucas que após verem que a situação fora contornada, nos pediram desculpas. Após alguns dias de internação, Lucas passou as semanas seguintes na casa dos pais. Gab e eu fomos visitá-lo, sem tentar tocar em quaisquer assuntos desagradáveis, mas numas das vezes, ouvimos seu pedido de desculpa e seu intento desnecessário pela morte.

– Você não pode fazer isso de novo. Veja como eu fiz, eu segui.

– Você é forte, Gab. Eu, não. E é tão estranho dizer isso para quem, enfim, talvez ela tenha te amado mais que…

– Não diz besteira, ela estava com você. Pronto, fim da história. O que podemos fazer agora é seguir.

– Eu…

– Fica quieto, Fê. Desculpa, mas aqui nós dois sabemos mais de quem estamos falando. Ela viveu, Lucas. E como viveu!

– Viveu dois amores…

– E quem disse que foram amores, você que ficou e tenta morrer de tempos em tempos. Eu tenho vontade é de te quebrar a cara toda vez que voe vem com essa voz chorosa e essa cara de cachorro perdido. Você acha que eu sofri menos por tudo isso? No final ela estava com você.

– Ela estava só. Ela partiu sozinha – Lucas já de olhos úmidos.

– E você ficou, poxa! Por que tentar ir embora – Gab puxou Lucas pelo braço e o pôs sentado na cama, chegando com a boca perto de seus ouvidos – Você ficou, está ouvindo?

– Pára, Gab! Deixa disso, por favor! A tia já deve estar apavorada lá fora com seus gritos.

– Você ficou! – insistia Gab.

– Eu sei, eu sei. Desculpe, por favor. Eu sou louco mesmo, eu não sei lidar, eu não agüento.

Aos poucos afastei Gab da cama e o levei até a porta do quarto, forçando sua saída e fui em seguida.

– No fim das contas, ele está certo Lucas. Pensa, só pensa nisso – disse numa respiração única.

Partimos e a tia já vinha ver o que ocorria. Eu disse “está tudo bem” e fomos embora.

Será que se morre de amor? – a pergunta martelou minha cabeça alguns instantes antes de dormir. Desliguei o ar condicionado, puxei meu edredom e adormeci.

David Felipe

(Continua)

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