Se se morre de amor – Capítulo IV

Capítulo IV

Açaí no meio da tarde de sábado. Nem era novidade para um grupo de estudantes tão saudáveis que nos tornávamos com os novos hábitos de Lucas.

– E desde quando açaí é só para quem é saudável, Fernando? Apaga esse post aí do seu perfil.

– Agora vai mandar no meu facebook. Brincou?

Lucas, Gabriel e eu conversando numa boa e dando risada como nos outros tempos, não tão velhos, afinal. Era como esquecer quaisquer problemas, se é que compreendemos a dimensão exata de problema.

– Pode parar aqui, Gab. Chegamos.

Bermuda folgada, camiseta e claro, ostentando os óculos escuros de dimensão não exatamente proporcional. Quem, eu? Não somente. Os três, e claro, com a visão periférica aguçada.

– Não, Fê. Aquela guria não te encararia, não.

– Ok, ok. Falou o expert.

– Nada, Fê. Você ainda está engatinhando na arte – completou Gab – Lucas está certo.

Açaí, morangos, risos e ainda consegui o telefone de uma garota, o que levou Gab e Lucas a momentos de espasmos na saída. Espasmos de risos.

– Aí, doutor Fernando. Está metendo a mala de Clark Kent sem nem ter se formado ainda… – Lucas chorava quase.

– E vocês nem me davam crédito.

– Eu ri e muito, agora – interferiu Gab.

– Ok, preste atenção no volante se… Nada.

Eu não precisava, mas falei. Fomos os três mudos até chegarmos ao apartamento. Atmosfera novamente pesada.

Subimos pelo elevador ainda emudecidos, até que a chave emperrando na porta quebrou o silêncio.

– Droga! – resmungou Gab.

– Eu abro, espere – forcei a maçaneta e consegui abrir – Pronto!

– Ainda vão querer sobremesa? Sobrou do bolo que minha mãe mandou na quarta, ainda. Querem?

– Tem sorvete? – questionou Lucas, já no corredor que leva aos quartos.

– Comprei ontem depois da faculdade – respondeu Gab – Só olhar no freezer.

– Isso! Bolo com sorvete.

– Valeu, tio Fê!

– Desculpe, Gab, pelo que quase falei no carro. Eu…

– Senta aí, eu preparo a sobremesa.

Calei-me. Sentei-me no sofá e esperei. Gab trouxe os pratos, o bolo, o sorvete e ficamos os três em silêncio, sorvendo o bolo com sorvete.

(…)

Interfone.

– Luciana e Marta? Ok, pode mandar subir – assenti.

– A Lú e a Martinha estão aí.

– Eu não agüento isso. Eu não agüento – Lucas levantou-se e começou com a sessão de abdominais.

– Eu passo – Gab recolheu os pratos e foi até a cozinha.

Gabriel lavando louça. Coisa que sempre ficava para nossa ajudante de serviços domésticos de algumas vezes por semana.

Respirei fundo, joguei-me no sofá e aguardei a campainha. Uma longa tarde vindo pela frente.

(Continua)

David Felipe

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