REVANCHE – 12. Porto Alegre

12 – Porto Alegre

 

“Faz frio em Porte Alegre toda noite  

E, de longe eu não posso te ver

Então me perco em pensamentos de um passado

Que, há muito tempo, eu quero esquecer” (Lucas Silveira/Rodrigo Tavares)

 

Será que só de estar ao teu lado eu já não conseguia viver? Sou só eu nessa procura sem saída. Você não sabe de mim.

Porto Alegre é meu refúgio. Aqui eu me sinto em casa e posso ressentir-me longe de você. O destino oculto para os colegas do trabalho, para os amigos, é o lugar em que me lembro das dores que ainda não partiram. Minha zona de conforto físico que permite que o guri sofra tudo o que puder e tente se curar.

Eu me recordo da primeira vez que a vi sorrindo, andando acelerada pelos corredores, sem conseguir esconder a alegria de começar uma jornada nova. Uma jovem promissora e com poucos anos de carreira assumindo a frente de projetos de mídia de grande importância, lidando com executivos de marcas top de mercado com a naturalidade de quem nunca se estremece diante do maior desafio que se apresentasse. E eu me vangloriando de meu conteúdo criativo. Certo de que nunca me achei menor, não posso deixar de dizer do meu ligeiro acanhamento diante do furacão que se apresentou, utilizando nesse momento o melhor sentido da palavra. Tarsila foi marcante desde o início por sua capacidade profissional e sua presença inebriante.

Andrew já era o bom moço de sorriso abobado e fala mansa que as gurias admiravam pela calma irritante. E nesse instante, permito-me o direito de ser politicamente incorreto. Nunca diria que o rapaz não tem qualidades profissionais, nem desdenharia de sua capacidade de conquistar Tarsila, só que não posso em nenhum momento esquecer-me de mim mesmo. E se busco minha própria cura, tenho de ser sincero. Tarsila-Andrew nunca será uma fórmula perfeita diante de meus olhos.

Se fosse uma disputa dos tempos de cavalaria, eu não deixaria de pedir um desafio mano a mano lutando até o limite para ter a prenda como prêmio. A donzela decidida pela força e não pelos dotes culinários ou o temperamento tão abrasivo do caçador à australiana. Ah, eu nunca seria capaz de deixar de lado minhas opiniões, ainda que em nome do que chamam de amor. E posso estar errado, e sem tempo para mudar uma personalidade há tempos tão mal ou bem construída.

Eu só não queria que fosse do jeito que é. Eu não queria vê-la partir e por isso não quis dizer adeus. Porque na minha concepção, que considerem egoísta, unilateral, mesquinha, não há alguém mais capaz de dizer-te coisas bonitas e te abrigar nos dias de chuva cantado desafinado ou fazendo silêncio diante de ti. Não há quem possa ter vontade maior de salvar nossas almas dos percalços do lado oculto do desconhecido que alguns apregoam.

Eu só queria ver-te chover e te sentir uma vez, por aqui. Redenção seria o parque ideal de nossos passeios enamorados. E eu sei que não há espaço para esse tipo de idealização.

Faz frio em Porto Alegre e eu só posso desabafar diante do computador. Ainda não sabes, ou se sabes não te importas, mas eu preciso aprender a dizer:

-Adeus.

(…)

Pois não há alguém que possa te amar

Pois não há alguém que possa nos salvar

 

Eu não queria dizer “adeus”

(é que eu tinha tanto pra contar)

Só não queria perder o que sempre foi meu

 

Eu não queria dizer “adeus” (Lucas Silveira/Rodrigo Tavares)

 

Eu sigo emprestando música para expressar o que eu sinto.

 

David Felipe

(Continua)

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