REVANCHE – 11. Não leve a mal

11 – Não leve a mal

Narrar a partida apartamento-aeroporto não demonstraria talvez, meu estado de espírito. Mas dessa vez sim. Na pequena jornada, pude conversar com o taxista sobre o equilíbrio do campeonato regional de futebol, ouvir elogios das propagandas da TV sem informar em qualquer momento que trabalho com o mercado publicitário e ouvir do senhor já de idade mais avançada que somos nossa própria cura. E não tomem como filosofia de botequim ou beira de fogão, o que sei que considerariam os mais apressados e de análise superficial. Eu aprendo a todo tempo, sem necessidade de tanta técnica ou academicismo.

Somos a nossa própria cura. Tomei essa frase para mim, após ouvir o “boa viagem” e seguir para o check-in. Burocracias a parte, entendi ter sido a melhor decisão parar e respirar. Nem a comida industrializada com pouco sabor pôde tirar meu semblante mais leve do equilíbrio, durante o vôo.

Após uma hora e alguns minutos de viagem, meu destino já deixa o ar leve e sendo bem sincero, se a timidez deixasse, as lágrimas pesadas nos olhos rolariam com facilidade. Respiro mais fundo e sigo para tomar a mala despachada e desfazer um pouco da magia que me tirou da realidade. Em outros tempos, imaginar-me-ia chegando por aqui contigo ao meu lado, como minha prenda mais preciosa. Os sentimentos que não senti, desmancham sua imagem de meu pensamento e a única coisa que eu queria era que quisesse viver ao meu lado, observando os dias de chuva e frio, sem pressa. E como não posso, sigo desmanchando o fio dessas singelas ilusões.

E eu resolvi tirar férias e ser minha própria cura.

Não estranhe que eu queira voltar ao mundo real, sem você. Eu preciso reaprender o que é simplesmente viver. Já no hotel, trato de providenciar o mate para entrar no clima e ligo o aquecedor.

Eu, o “delete” tentando apagar as memórias do que eu deveria esquecer, o mate como companhia, a garganta quente e o coração frio, porém firme no propósito do “deixar partir”.

 

“Não leve a mal

Se tudo o que eu posso fazer

É, de longe observar você sumindo da minha vida

(…)

Não leve a mal, se o que eu quero é voltar

O mundo real ainda é meu lugar

Não se vá

Não assim

Não agora

Não leve a mal” (Lucas Silveira/Rodrigo Tavares)

 

David Felipe

(Continua)

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