REVANCHE – 10. A minha história não acaba aqui

10 – A minha história não acaba aqui

 

“Vão te dizer que você não é mais o mesmo

Vão apontar o dedo na tua cara pra te acusar

Vão arrumar mil motivos pra te incriminar

Por todo canto, há alguém esperando pra te derrubar” (Lucas Silveira)

Eu não vou mais esperar que as coisas caiam do céu, nem dar de ombros para o que chamam de destino. Eu só posso dizer que se eu pudesse, mandava mais no meu coração.

Cansado das boas idéias, da expectativa pelos prêmios e com consciência de que não devo esquecer-me de mim mesmo, ainda que isso implique em esquecer-me de ti. E podem achar que é bobagem, que é nuvem passageira se dissipando pelo ar. Não. Eu ainda sou aquele de sentimentos nobres, mas tocado de mais vida real.

Apreciando o sabor da vodka ou o café no desjejum, sou o mesmo. O mesmo que quer ter sanidade para não insistir em contornar seu nome várias vezes entre os rascunhos ao lado da mesa do telefone da sala de estar. E ria quem pense que cheguei ao fundo do poço. Posso, na verdade, é ter começado a enxergar mais dentro de mim e não ter tantas vezes encontrado você.

Eu começo a respeitar os eventos que me levam para cima e as gargalhadas livres nas madrugadas de pão na chapa e suco de laranja entre a ressaca de alguns amigos. Não que eu aprove as bebedeiras de fins de semana, pois não sei fazê-lo e não aprovo o que exceda o limite do limite. Eu começo a respeitar minha necessidade de respirar e isso me leva a tirar férias de você. Já pensou que incrível? Não, você nem me ouve, nem me vê. Você acompanha o pulo dos cangurus. Dessa vez eu que rio sozinho, dessa vez eu que decido a hora de frear.

– Já de malas prontas?

– Claro – respondo a secretária.

– Destino? – questiona ela, curiosa.

– Surpresa – e eu sorrio, sem mais.

Antes que a balada me consuma e me eleve ao limite do limite. Antes que a insanidade roube minhas palavras e meus sonhos. Antes que o mundo queira contar uma história que é minha por direito.

– Até a volta.

Recolho meu abrigo da cadeira em frente à mesa, e arremesso mais uma lata de refrigerante vazia no cesto ao lado.

“A minha história não acaba aqui

Quem põe esse ponto final sou eu (enquanto eu quiser viver)

Sou eu!”(Lucas Silveira)

David Felipe

 (Continua)

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