REVANCHE – 9. Se você voltar

9 – Se você voltar

 “Saiba que não existe nada que eu não tenha feito por você

Já cansei de sair, já cansei de tentar

Mas eu não vou dizer “não”, se você voltar” (Lucas Silveira)

 

Toda vez que eu paro sozinho para tomar um café, ainda hesito em colocar primeiro a xícara de café com adoçante e repassá-la para o lado direito para que ela possa se servir, enquanto ainda tiro meu próprio café. Duas semanas inteiras com essa quase atitude mecânica, recordo-me de que eu tenho que aprender a de vez em quando, parar de pensar nessas coisas que deveriam ser banais.

Então, volto a buscar envolvimento em projetos que consumam meu dia todo e deixem-me com atividades ininterruptas. Ok, parar para o almoço e checar meus emails. Finalmente, desisti das redes sociais porque cansei de ver as postagens de fotos entre cangurus e sorrisos abertos demais.

Eu estou certo de que não sumirá da minha vida de uma hora para outra, todavia não sei se estou pronto para lidar com qualquer coisa espelhando sua imagem. Eu até desisti das morenas quando sigo para as baladas com o Pedro A. e a turma da boemia. E pensando nessas horas de diversão da madrugada, consigo parar de pensar em caçadas australianas. E é riso certo quando eu zero na noite, ainda que a única da noite que tenha me dado papo fosse uma bela morena e eu não seja do tipo galã para tanta seleção.

Enquanto no trabalho ainda consigo consumir as horas com séria ocupação, em casa me restam reler os livros, inventar a maneira nova de descongelar os pratos prontos e dar uma espiada nos sites de culinária para solteiros. A experiência demonstrou que saber cozinhar fora uma excelente oportunidade perdida de conquistas. É que sou um tanto estabanado para conseguir me engajar em todas as frentes do homem moderno. Talvez meu prazer seja mais comer que decorar os modos de preparo. Que fazer? E no pequeno drama das comparações com os competidores, prefiro primar em comprar os melhores pratos e tentar empenhar-me em melhores papos. Neste mesmo instante, vejo que tal rima pobre não passaria no meu crivo de avaliação textual do conteúdo de qualquer campanha. Mas, satisfaz meus disparates noturnos e minha vontade de não pensar ou pensar em qualquer coisa que não me lembre Tarsila-Andrew.

No way! Eu preciso dormir, eu preciso cantar para a poeira baixar. Talvez seja a hora de tirar férias. E se você voltar, eu não precisarei de sorrisos forçados ou servir três cafés. Pensando bem, talvez eu prefira os refrigerantes, junk food e esquecer-te.

David Felipe

(Continua)

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