REVANCHE – Revanche

REVANCHE

Olá! Começa agora REVANCHE, minha nova ficção,  em que semanalmente partilharemos capítulo a capítulo, a história de Vicente, personagem-narrador desta, que se inpira nas letras de música de Lucas Silveira e Rodrigo Tavares.

Embarquem a seguir, no primeiro capítulo.

 

REVANCHE

1-Revanche

-Deixe-me chorar agora para não me arrepender depois. Deixe que eu pinte meu céu de qualquer cor que me faça tentar te esquecer. É buscando uma terapia qualquer, inventada por mim, que eu consigo levantar e caminhar a cada dia que eu acho que não conseguiria respirar sem ter você.

Então não venha me dizer para parar nas entrelinhas, é só o que peço. Cada vez que um olhar blasé seu atravessa a minha tentativa de ser natural, sem carinhos com você, fica mais difícil. Não transpareça que descobriu minha armadura em dizer que está tudo bem. Não, não sou tão bom quanto pareço nem tão mau quanto deveria. Se é que isso faz bem. Ainda não descobri.

O grande problema seja talvez, importar-me demais com o que sente. Porque te ver chorar não me diz nada, se não vejo seus olhos brilhando. Poucas vezes vi seus olhos assim, brilhando, e não é desse modo que os vejo agora quando tenho oportunidade em lhe ver. Não queria que se apegasse tanto a coisas e zonas de conforto por simples fisiologismo. Para mim, numa concepção romântica, acredito, a vida seja mais que isso. Não a vejo feliz comendo o bolo, mas sim no preparo da massa. E isso para mim, não é ser feliz.

Eu lhe teceria elogios o ano inteiro, ainda sabendo que defeitos não lhe faltam, o que não é privilégio seu ou meu ou de qualquer outro ser humano. Contudo, eu ainda sei ser capaz de só apontar-lhe as coisas boas para te ver sorrindo, orgulhosa. Ainda que isso pregue mais uma casquinha grossa de sangue rarefeito em minha pele que certamente irá doer.

Sempre repito em minha mente que cantaria para você dormir, mesmo não tendo técnica ou talento. E não é algo como um sonho que se desfaz no tempo, é a vontade de confortar e claro, ter conforto por estar contigo. Todo homem é egoísta, mesmo amando, ou estando no estágio delirante da paixão. E não vejo paixão em ti, e é isso algo ainda mais a pesar na minha falta de conforto. Se eu te sentisse com os olhos brilhando, eu abandonaria de vez a idéia de querer te fazer feliz. Porque já o seria, simples assim, feliz.

Eu penso que a essa hora da noite, ele já lhe tomou nos braços e te aninhou com cuidado. É o que eu faria, se pudesse. A lua lá fora está tão bonita que me embriaga sem eu ter ingerido qualquer gota de álcool. Quem sabe, eu pranteie umas horas mais tarde, sem muitos porquês.

E que seja para o bem. Já ouvi algo assim, e repito com clareza. Que seja para o bem.

E se não for eu cantando para você dormir esta noite, eu digo que agora está tudo bem. Eu posso sentir inveja, mas é reconfortante saber que está aquecida essa noite.

Talvez eu nunca fosse capaz de tirar um riso leve a cada dia de seus lábios, pois nunca tive talento para comédias. Fato é que os dramas me perseguem. E dizendo assim, rio de mim mesmo, sabendo que não sou um “comedian”.

Só espero que te abracem forte sem que precises pedir seja falando ou recostando-se ao ombro do tal, languidamente. Terão de saber te cuidar. É só o que eu peço. Terão de saber se preciso for, o momento certo de lamber suas feridas. Super proteção pode parecer coisa juvenil, da famosa paixonite adolescente. Que seja. A verdade é que ninguém é capaz de manter seu juízo perfeito diante dos reveses que a realidade proporciona, somos falíveis. E “caetaneando”, eu diria: “Isso é lindo”. A vida sempre consistiu em perder e ganhar.

Eu faço discurso para quem não vai ouvir, ou ler, ou ouvir dizer. Essa talvez seja a minha própria super proteção e não a que eu quis impor a você, melhor, ainda eu quero. E o cérebro diz para seguir, que está tudo bem e o coração, nem sabe como chegou até aqui, num jogo desequilibrado e bem conhecido dos mancebos românticos querendo superar velhas barreiras das quais a razão não consegue se encarregar.

Para que tanto discurso, não é? Bem, algumas coisas são faladas, melhor, escritas, para alívio da verborragia presa nas notas falhas da garganta. Por enquanto, que assim baste. Não se podem fazer promessas duma história em que ainda não se quer um ponto final.

 

“Você achou que eu tinha desistido

Não estou morto, apenas fui ferido, eu sei…

Eu sei que o tempo acabou” (Lucas Silveira/Rodrigo Tavares)

 

Eu sigo emprestando música para expressar o que eu sinto. Pode me chamar de louco, insensato. Pode não me chamar. Poderia ser você, o outro, qualquer um. Mas sou eu, tentando virar o jogo: Vicente a postos.

 (Continua)

David Felipe

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