Amor Debaixo D’Água – Capítulo 11

Amor Debaixo D’Água – Capítulo 11

 

Ela não me diz nada. Helena se lança em meus braços como se continuássemos de onde nunca deveríamos ter parado, com mais sede um do outro. Consigo dizer seu nome após tanto tempo, sem ter os olhos marejando, pesados. E nem por um momento o compromisso com Catarina parece ser fator impeditivo. Não falamos. Agimos e nos confundimos, até quase perder a capacidade de respirarmos sozinhos.

Não, o sangue não volta a minhas mãos e tudo parece fazer sentido. Não há quase, há amor. Eu só acredito porque é inconfundível a sensação de sentir-te de novo, como se fossemos a mesma coisa. Desde o toque em seus cabelos ao cheiro de sua pele, tudo me faz bem e me revigora como quem volta de um exílio impositivo de guerra e se esquece de que um até breve poderia ter sido um último adeus. Você não se esqueceu de como me faz bem, eu me comunico contigo em meus pensamentos, enquanto sufoco a saudade que me deixaste há tempos. Eu vivo, sem quaisquer artifícios.

(…)

Deitados entre o hall e a sala de estar. Extasiado por ter você de novo descansando entre meus braços, como se fora estar em meus braços o melhor refúgio que qualquer bunker. E eu insisto nos termos bélicos, depois de ter parado de lutar e ter resolvido viver, assim simplesmente. Eu devo tudo isso a viver?

– Eu te amo.

Minhas conjecturas interrompidas com a frase tão batida por aí, mas que eu sinto sincera. Respiro fundo e replico:

– Eu te amo, Helena.

Confesso que nesse momento meus olhos estão úmidos, todavia é por júbilo genuíno. E eu te beijo e isso não é pouco. Os crescentes afagos voltam a nos tornar um só. Não devo mais temer por temer, pois você está aqui e é isso o que importa, ainda que eu tenha medo.

– Serei capaz de ficar te olhando e te olhando – e externo meus pensamentos.

– Eu só quero viver de novo – e seu discurso ganha o tom dramático que pensei ser exclusividade minha.

– Nando. Consegui chegar mais cedo… – uma terceira voz ao longe.

A porta destrancada e o começo do fim:

– …Ok, eu não vou pedir qualquer explicação. E eu entendo, por mais estranho que possa parecer. E repito a frase dos folhetins: “Não precisa dizer nada”. Essa deve ser àquela de quem não se fala o nome e é mais do que um quase amor.

Helena procura se esconder no meu abraço, piorando ainda mais a cena:

– Eu… – e nem sei exatamente o que dizer. Eu não… Eu gosto tanto de você, Catarina. Eu não quero…

– Você não me ama, assim como eu não te amo. E a vida segue… Ah! – Catarina agacha-se perto da mesa do telefone – Minhas sapatilhas, esqueci aqui. Hum, boa sorte… Melhor, boa volta.

E sem estrondos, choros ou troca de ofensas, ela fecha a porta calmamente e se vai:

– Helena, eu te amo – repito, em tom de desculpas.

– Mas você esteve vivo esse tempo todo. Não me importo e não me interesso em saber.

Ela me beija, e me beija. E eu não questiono. Seguindo, vivendo, tentando de novo, como nunca pensei ser possível.

(Continua)

Abraço,

David Felipe

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