Amor Debaixo D’Água – Capítulo 10

Amor Debaixo D’Água – Capítulo 10

 

Eu, Rogério e Juliana na platéia assistindo a mais uma das apresentações de balé das alunas de minha namorada. Catarina sabia ser bem persuasiva nas noites a anteceder seus eventos, e eu não o fazia como obrigação, pois descobria de novo o lampejo da felicidade. Contudo para não parecer piegas, não mencionava todo o contexto:

– Valeu mesmo pela companhia para as próximas duas horas.

– É, Nando. Amigos topam…

E antes que Rogério completasse a sua não politicamente correta explicação, com um “qualquer coisa”:

– A Catarina faz um trabalho lindo com as meninas – interrompia Juliana.

Juliana e Rogério voltavam pela terceira vez depois de dois meses afastados. Eles ainda acreditam no amor ou são mais sortudos que eu. Meu amigo nunca reclama da vida e não passa qualquer dia da semana sem faltar ao treino da academia e Juliana não deixa o happy hour semanal com as amigas, me roubando Catarina às vezes para algumas doses de chá gelado às quintas-feiras. É quando o fisiologismo sente falta de seu afago no queixo e eu volto por segundos a questionar se ainda desejo mais que um quase amor.

(…)

Uma hora e quinze de espetáculo e Catarina vem até a platéia me dar um beijo rápido no intervalo, enquanto suas meninas trocam a roupa para o número final da apresentação. “Não vejo a hora que acabe”, lhe digo baixinho, “Mas está de parabéns”.

A apresentação segue, e no fim da noite tenho de volta as sapatilhas a repousar no meu recinto de refrigerante pela metade, uma tigela de morangos esquecida no fundo da prateleira e ah, um champanhe para salvar o fim de noite:

– E o menos esperado acontece. Um champanhe para brindar a você e a suas meninas e a maravilhosa apresentação de balé!

– E precisava ter saído antes que todo mundo?

– Ah, Catarina. Você já estava satisfeita com dois pedaços de pizza, não?

– Você entendeu.

– Se eu posso ter você só pra mim, por que não?

– Ter “quem”, cara pálida?

– Desculpe – sem vacilar o passo – Burocrata egoísta.

– Ok. Pode abrir o champanhe.

O ambiente em sintonia com nosso gostar muito e amar de menos, sobrando motivos para que reconhecêssemos cada reação do outro e deixássemos a sublimação de lado para tornar palpável nossos afagos, carinhos e um pouco mais do que se assemelha a felicidade.Lembrando-me de…Não. Curtir o momento.

(…)

Acordo com o barulho da porta de entrada batendo e logo vejo o recado colado na porta da geladeira. “Entendendo nosso quase amor. Beijos, Catarina.” Eu abro um sorriso largo, caço meu resto de cereal na geladeira com metade do iogurte natural que Catarina deixou sobre a mesa da cozinha.

Sigo descalço até a sala de estar e sento-me em frente à porta de entrada, com o prato de cereal às mãos, sem querer saber das horas. Eu me atrapalho com o prato e rio sozinho da minha falta de jeito. Com os pés no chão, sem ligar para a frieza do piso ou o valor poético do momento. Alguém força a porta. Alguém força a porta?

– Hei!

Verifico pelo olho mágico e destravo a maçaneta no impulso:

– Helena?

(Continua)

 

Abraço,

David Felipe

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