Amor Debaixo D’Água – Capítulo 9

Amor Debaixo D’Água – Capítulo 9

 

Ela com a maquiagem quase pronta e eu ainda extasiado pela noite. Comprovação de que estava desabituado aos benefícios das noites de sexta-feira terminando em maiores alegrias que a da própria balada.

– Não vou deixar você ir embora, agora.

– A noite já foi nossa, mas… Tudo tem uma hora para acabar.

– Não no começo do fim de semana, não é mesmo? – insisto.

– Receio acabar com sua expectativa…

Não deixei que ela continuasse a explanação desnecessária. Beijei-a com o ímpeto dum garoto e esperei que nossos reflexos nos levassem a continuação do que fora tão bom noite adentro.

Uma conexão à qual não quis descobrir explicação científica ou filosófica. Nós nos entendemos em fisiologia e alma e isso para ambos foi o bastante para mais um fim de semana e outro, e outro, completando meses e chegando a um questionamento saudável, raciocinado e não sofrido:

– Quer me namorar?

– Eu já te namoro, Nando.

– Sério?

– Há exatamente três meses e onze dias.

As mulheres sempre são tão boas com números.

– Não quer uma data oficial, senhorita? – faço troça.

– Não precisamos disso exatamente.

Um beijo carinhoso recebido no rosto, eu devolvo com um beijo terno nos lábios.

– E não diga que me ama.

Eu não poderia, penso.

– Eu também não te amo. E isso não é o fim dos tempos.

– Eu gosto muito de você, Catarina.

– E eu de você, Nando. Meu namorado – e riu alto.

Sorvete duplo para comemorar a constatação de nossa alegria, humor e cumplicidade. Um economista burocrático e uma professora de balé não fariam feio em gostar muito e amar de menos, num relacionamento aparentemente sincero e maduro – a análise permitida por mim mesmo, como um alter-ego expectador.

A vida seguindo a passos firmes, repleta de sorrisos e carinhos. Chegar em casa, botar o congelado no microondas sem sobressaltos e deixar o choro para a hora de cortar cebola para o preparo da salada mista especial da Catarina nos sábados de chuva e para os filmes  e leituras mais densas.

Deixando a casquinha cair das feridas, sem medo de topar nas quinas e abastecendo o reservatório de energia com açaí para os momentos festivos em que a bailarina descansa as sapatilhas e segue os afagos do refúgio do autor.

(Continua)

Abraço,

David Felipe.

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