Amor Debaixo D’Água – Capítulo 7

Amor Debaixo D’Água – Capítulo 7

Algumas moedas por algumas horas de lazer. Claro, isso é a pouca metáfora barata que me resta para não dizer claramente: algumas notas por alguma hora de lazer. Pena que, de novo, só fique o vazio. Eu caio no fisiologismo e isso me consome. O corpo agradece por estar funcionando em perfeito estado, enquanto o juízo padece a falta de mais propósitos.

Só não me é claro ainda, se estou no caminho certo. Procurar não fará mal nem machucará ninguém a princípio. Os meus bolsos ficam mais leves a cada alguma hora de lazer para algumas horas de sono e pouca insanidade. Eu ligo a televisão para parecer que tenho companhia para o resto da madrugada e só volto à realidade quando o braço adormece por esticar-se tanto em abraçar seu corpo dentro de minha imaginação e fora de meu alcance real.

Eu busco secar estes olhos que em vacilo insistem em vazar quando imagino nos rostos delas o seu. É quando eu deixo de ser romântico e aceito a natureza das ações menos raciocinadas e mais sentidas.

Ainda faço joguinhos de tentativas de uma literatura detalhadamente arquitetada, mas falo agora das futilidades que me tomam os dias em que tento apagar-te de vez da memória. Que seja possível deixar-te numa pasta sem data certa de expiração, porém com espaço limitado de bytes – mais uma metáfora ruim.

Perco a cada dia o jeito formoso de falar do modo que costumava me ouvir. Invento datas festivas as quais me levam a contratação dessas alegrias físicas, sem qualquer benefício de ternura. Porque não tenho a quem preciso, nesse sentido egoísta de posse, de saudade, porém quero estar vivo. Sentir-me vivo!

Eu me recordo de novo de ti, enquanto como a última bolacha do pacote e sorvo o último gole do suco de laranja direto da caixinha, esperando que me repreenda no instante seguinte, puxando uma mecha de cabelo de minha nuca. Só que você não está aqui para fazê-lo e ser falsamente surpreendida pelo meu beijo como pedido de desculpas.

O mundo que você me deu não pode devolver em um átimo de segundos da memória, as sensações daquela que só se farão por ela mesma. É quando o silêncio grita dentro de mim e eu penso em acelerar!

 (Continua)

 

Abraço,

 

David Felipe

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