Amor Debaixo D’Água – Capítulo 3

Amor Debaixo D’Água Capítulo 3

Que fascínio projetar sua imagem na foto da moça que sorve o refrigerante na propaganda da contracapa da revista! E imaginar como seria cada um de seus gestos: tirando o cabelo dos olhos ou esticando os dedos magros para retirar o cartão da carteira, para em seguida guardá-lo novamente, pois eu nunca deixaria um café que fosse por sua conta. Eu chego a ter um sorriso nos lábios, assim como quando você já em gargalhadas, fitava-me em tom inquisidor para que eu ao menos virasse o cantinho da boca por ouvir suas histórias. Nem que fosse por mero deboche.

Poupo-me agora em pesar tanto na descrição das lágrimas, visto que minhas pausas ou a ausência delas já deixem subentendidos tais momentos de meu fértil descontrole emocional. Sim, houvera de ser sabido que não se pode estar são em tal condição.

Num sábado como hoje, eu a teria despertado por volta do meio dia com o rosto quente pela corrida do fim de semana e ela me atirado da cama no instante seguinte num susto programado para evitar que eu deitasse na cama com a roupa da rua. Nada que não recompensasse a companhia debaixo d’água alguns minutos depois.

Eu não sei dizer ao certo o momento em que me perdi. Talvez um instante de cada vez em que mais te amei, e te perdi. Agora, é como se fizéssemos de novo amor debaixo d’água e o mundo parasse lá fora, bem clichê e bem lembrado. Somente os dois enamorados sem quaisquer preocupações que não fosse o som da água sobre nossos corpos desvendando os méritos do que o etéreo poderia traduzir ao carnal. Mas como é tedioso ficar com as lembranças, enquanto a razão lhe diz que se fizesse diferente, ainda teria essa sensação, a qualquer instante.

Eu só consigo pensar até certo limite, pois não me é certo se morreu dentro de mim, se morreu, ou se foi embora e só. Ou se fui eu… E isso não é pouco, eu sei. E não é pouco sentir-me submerso sem poder respirar, rebatendo as paredes de meu corpo como essa dor que não passa e essas mãos pesadas de sangue e leves de amor, do seu amor. Em tom de súplica, dramático como não consigo deixar de ser, projeto seu nome no tom mais forte e alto de minha voz e aguardo uma resolução do universo que me deixe, por um átimo que seja em condição de paz. Minha foto preferida com você de olhos vivos, um sorriso quase aberto e eu, aqui, de novo, com os pés no chão. Minhas mãos esfregam cada maçã do rosto e as lágrimas surgem como se não fossem ainda suficientes. Repetindo-me, repetindo-me.

(Continua)

Abraço,

David Felipe.

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