Amor Debaixo D’Água

Qual a sensação de se apaixonar meia hora de cada vez?

E de meia em meia hora se perder?

Será isso Amor Debaixo D’Água?

Tente descobrir. Nova história a seguir.

 

Amor Debaixo D’Água

Quaisquer palavras mal colocadas que não resultaram a meu favor são do princípio negligência por uma filosofia particular sem propósitos. Curioso como criamos nossas próprias verdades e assumimos o risco por nós mesmos por coisas sem factível conexão com a realidade e não ligamos em quebrar a cara. Só quando sentimos doer. O fato é que se cheguei até aqui foi por uma trilha formada por meus próprios pensamentos, vitórias, verdades, ficções ou mentiras bonitas de ouvir.

Eu tenho um pouco de sangue em minhas mãos e por mais que eu esfregue uma mão na outra embaixo da água, seu cheiro ainda vai estar aqui. Vai estar cada nota doce que eu costumava inspirar entre as palavras inteiras de júbilo que repetia em seu ouvido enquanto julgava te amar. E você se regozijava e se derretia em demonstrações de nobre carinho. E eu me sentia feliz em fazer do teu, meu próprio ar e assim, ver o sol nascer a cada manhã parecia-me sempre mais poético. Agora, você está em meus braços e nem palavras pode me proferir dentre meus arroubos do silêncio na madrugada e de meus afagos frios de quem não é correspondido.

Sigo descalço até a sala de estar e sento-me em frente à porta de entrada, esperando que vá voltar num dos próximos quartos de hora que insisto em contar. Minhas mãos esfregam cada maçã do rosto e as lágrimas surgem como se não fossem ainda suficientes. Não sei mais se meus pés acostumaram-se ao chão frio ou se simplesmente, não estou mais aqui. É como se o poeta desse lugar ao ser humano falho, sem propósitos e se esquecesse de si mesmo por breves momentos. As pernas dobradas junto ao corpo são abraçadas por braços não tão firmes que levam o bloco todo de carne e osso ao chão. O sangue persiste, é o que posso enxergar. É como se cada gota de minha alma fosse levada embora junto ao seu sorriso, e eu tenho medo do que ainda posso sentir. Nunca pensei que pudesse fingir que é dor, como disse o poeta, o que deveras sinto. Porque dói até a ponta de meus dedos não mais limpos e carregados da pouca ternura dedicada à moça dos olhos que um dia foram meus. Eu não posso mais te olhar sem razão e passar uma hora inteira admirando o seu sorriso mudo que faz a mim, tão orgulhoso de meu vocabulário, não ter as palavras certas para te dizer, pois parece pouco um “eu te amo” seguido de um beijo. Só que não está mais aqui para que os crescentes afagos nos tornem um só.

Eu pranteio demais, reclamo demais, falo sozinho, balbucio teu nome e adormeço.

A vida parece não seguir mais as regras naturais entre comer, dormir, e acordar. Claro, água para matar a sede, literalmente, e reidratar este que insiste em verter água suja de lamento. Lamentar-se talvez seja pior que ter pena de si mesmo e isso eu não quero presente em mim. Eu já gritei seu nome, entrecortando as cordas que persistem em soar seu nome dentro de mim e me levar à insanidade das olheiras que brotam nos meus olhos. E a culpa é só minha por não saber te sentir. A sua imagem é o reflexo fugidio atrás da minha sombra refletida no espelho. O desespero é o que me toma nos minutos os quais compõem as horas pensando em seu rosto, imaginando como faria cada gesto, assim como retocar o batom enquanto eu apoiava a testa no batente da porta do quarto num meneio de cabeça negativo pelo seu ligeiro atraso. E a tua voz é a única que eu queria ressoando aqui, ao pé do meu ouvido, dizendo não quando eu te pedia para voltar atrás.

Ah, as horas tolas em que eu simplesmente deixei de somente viver para fazer promessas e considerações num tempo em que cada segundo é precioso presente. Eu disse em lugar de fazer. O lamento de novo, não. Subindo a adrenalina, querendo voar alto e esquecer. Esquecer do que me faça pensar demais em como evitar o erro ou poetizar. Querendo viver, com direito a sol fazendo apertar os olhos sem medo de estar sem proteção e correr na chuva simplesmente por estar feliz, de momento, como deveria ser.

 

(Continua)

Abraço,

David Felipe

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3 pensamentos sobre “Amor Debaixo D’Água

  1. Isis disse:

    Oie, mudou o visual do blog e ficou bem bacana.
    Beijos licença que vou seu novo texto 😉

    Isis

  2. Letícia disse:

    O começo está bem interessante hein!! Bjos

    • davidfelipe disse:

      Atente para a continuação. Mais coisas interessantes trazidas na voz do narrador-personagem essa semana. Contando a cia. de sempre.
      Obrigado a tds.
      BJs!

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