Derrapando é que se aprende

Derrapando é que se aprende

Toda criança um dia aprende a andar e logo, acaba causando os primeiros solavancos motores. É a topada na mesa do canto da sala de estar, o tropeção na dobra do tapete ou o escorregão que leva ao chão, no quintal, depois da tarde de chuva. E lá vão os pais com todo o cuidado revigorá-lo do susto. Mas aos pucos a brincadeira de criança fica séria e após a queda, basta aprender a se levantar, quase que por instinto. As derrapadas são para sempre, com dimensões e recuperações variáveis.

E nem de longe se pensou que fosse fácil, como dimensionar o tamanho do carro num piscar de olhos ou concluir a baliza na primeira manobra. Derrapar porém, vindo sempre em primeiro lugar. Pena vir com a derrapagem algum medo ou angústia. Não a falta de coragem! E não é nenhum apelo tolo. Nem de longe. “Só tem coragem, quem tem medo” – mais que um trecho de música, é uma meta a ser tomada  a cada dia que levantar-se da cama. É normal que meia palavra seja mal interpretada ou que convites não sejam aceitos. E aquele quase que pareceu acabar com o seu dia  vai deixá-lo na cama, olhando para o teto e sentindo-se o último dos últimos? Ah, a auto-ajuda invadindo as prateleiras do quarto. Não, elas não são ruins. Talvez, porém, mais que auto-ajuda lietarária, seja urgente auto-ajuda literal, de fato, verdadeira e todo o aparato que levar-lhe à tona.

Sejamos poéticos, e não tolos. Amemos ao outro, sem egoísmos e assim, aprendemos a nos respeitar. O amor ideal, quem sabe se torne realidade se o idealizador souber derrapar sem medo de se machucar. Amemos ao outro, não esqueçamos do “eu”. Derrapando é que se aprende. Derrape você também!

-Breve, nova história por aqui. Mais algumas palavras.

Abraço,

David Felipe.

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Cryin’ a river

Cryin’ a river

 

Nunca mais! Pode soar forte, e ao mesmo tempo é uma frase tantas vezes repetida que pode cair em descrédito e chegar próximo ao sinônimo de euforia repentina. E não é só isso. Junte-se o topo do stress – muito bem compreendido como a tentativa do organismo em adaptar-se a situação limite, se boa ou ruim em excesso – à vontade de resolver a vida num único segundo como se não houvesse outro alguém que lhe fizesse feliz.

Ah, os arroubos que nos fazem socar as paredes sem medo de se machucar, e os gritos que cortam a garganta das moças em crise. Não é um machismo desaforado, só um exemplo de vida, direto e sem eufemismos. É um querer arrancar seu batom no passar dos dedos e recuperar todos os telefones que apagou na última revista do celular.

Sem receio de exposição ou mudança de imagem pública, é repetitivo e beira ao patético, porém em qualquer sessão de cinema podemos ver os casais que brigam porque o rapaz demorou a trazer a pipoca e quase atrapalhou o começo do filme e claro, o cenho contrafeito desse mesmo rapaz aguardando a namorada sair do banheiro, ou melhor, toalete, como ela conclui ao final, em tom de repreensão: “Foram apenas cinco minutos”. E esse é ainda um cenário de paz.

Pense nos casais que ainda não se formaram e já vivem em crise. Ela não disse sim, ele não se declarou… Ok, seus olhos não podem mentir. E é só um sinal para a tentativa de embarque numa nova comédia de erros, nem sempre romântica, nem sempre feliz. Tirar-lhe o batom pelo beijo e esquecer o celular sem bateria para não estragar a noite com revistas desnecessárias.

Que não precise mais socar as paredes ou ouvir gritos cortantes que levem a um “Nunca mais!” Antes chorar um rio sobre você que a não verter uma lágrima por não te sentir – parafraseando a famosa canção.

-Mais palavras, enquanto nova história não vem.

David Felipe.