REDENÇÃO – 6. Alguém que te faz sorrir

REDENÇÃO

6 – ALGUÉM QUE TE FAZ SORRIR

            Já se passaram dias daquele torpe dia que não quero lembrar e insiste em vir à tona. O quarto não está mais tão escuro. Agora eu deixo que os raios de sol venham, ainda que pela fresta da janela, virem para sua visita diária à pele ainda um pouco pálida e a minha fotofobia momentânea.

(…)

            Eu queria acreditar que ficaria feliz por saber que estás bem, ainda que com outro alguém. E no máximo de meu altruísmo, conseguir confortar-me com alguém mais te fazendo sorrir, fazendo dos seus dias mais que declarações piegas de amor. E que isso não soe demasiado pleonástico. Se eu me lembrasse de como executar os poucos acordes que ressoam em minha memória, te faria música. E talvez isso fosse me reabilitar, ou um início desse processo a que me proponho.

            E como confiar que alguém mais vai saber lhe tampar os ouvidos no momento certo que anteceda os trovões nos dias de tempestade e que vai transmitir a confiança necessária para que depois de dois ou três trovões vistos, mas não ouvidos, conseguirás dormir na seqüencia de um leve suspiro? Não estou sendo poético demais, é a realidade que conheci e soube admirar e saber ser fobia leve perto de meu humor em descompasso e de minha quase pieguice nos curtos “até logos” pelas manhãs.

            É certo que pipocas de microondas, sessões de cinema em casa e ter receio de eu não tomar meu controlador de temperamento não seria um presságio de uma vida tranqüila. Seria cobrar demais que agüentasse mais algum tempo e não fosse ser feliz por completo. Confiei demais em meus breves espaços de felicidade, sem dar a atenção necessária… Melhor, sem me esforçar para que meu mundo estivesse mais brando para parecer normal. E era tudo o que me dizias,”Você é normal”, a cada vez que eu insistia em dizer o contrário. “Seu organismo só precisa de um recall como qualquer máquina”. Achava gracioso o seu modo de simplificar as coisas. E eu acreditei em ti antes de cada adeus, antes desse último que soou tão definitivo.

            Eu que não posso mais te impedir de ser feliz. Só não me peças para me esquecer, pois sei que não deixaria que agisses assim. Porque eu queria passar por esse processo, e ser esse alguém que vai te abraçar nos dias de chuva e vai falar baixinho em seu ouvido que não tenhas medo.

            “Segundos antes de dormir de mim você vai lembrar.”

 

 (Continua)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s