REDENÇÃO – 5. Redenção

REDENÇÃO

5 – REDENÇÃO

            Redenção, do dicionário: sf. Ato ou efeito de remir ou redimir.

            Remir – v.t. 1. Adquirir de novo. 2. Resgatar. 3. Ressarcir. 4. Expiar, pagar. 5. Libertar (uma propriedade) de um ônus, resgatando-a. 6. Livrar-se do cativeiro. 7. Reabilitar-se.

            Depois de dormir por um tempo que não sei determinar, todavia que me parece foi muito, despertei com essa palavra na mente: REDENÇÃO. E como tudo me leva a idiossincrasias, lancei mão do dicionário e depois o arremessei contra a parede, seguido do trasbordar desses olhos pesados. Não, eu não me emociono com o significado frio das palavras. Eu apenas não tenho domínio das tais idiossincrasias e da minha memória em alta velocidade.

            Beijos partidos; abraços apertados; noites sem hora para acabar num intenso abraço; meu humor em equilíbrio.

            O que conta é que prendeu minha atenção o último significado lido: reabilitar-se. É disso que preciso e é isso que devo buscar assim que meu corpo não estiver tão pesado sobre a cama e eu possa ao menos recostar-me de novo ao travesseiro. O dicionário estava bem à prateleira acima da cabeceira. Um esforço rápido e já o tinha à mão. Para depois, estar a um metro e meio de distância, entreaberto no chão, ainda levando-me à reflexão, assim como a minha imagem subitamente formada no espelho. Em dias melhores, diria que aquela forma não me pertencia – pálido, sem qualquer sinal de euforia, sem o canto dos lábios ligeiramente arqueados por te ver.

(…)

            Do rápido compêndio de idéias claras que formulei, tirei uma conclusão ainda mais célere. Para reabilitar-se é preciso vontade. E é preciso que eu entenda os fatos assim como se apresentam. Eu respeitaria mais os acontecimentos se eu estivesse seguindo uma programação, como o padrão de qualquer residente de uma metrópole. Ainda não sei como a velocidade das coisas lá fora ainda não me levou a alguma notícia tua. E pode parecer orgulho de novo, contudo é inevitável pensar se é tão fácil partir desse jeito e não contar mais com meu rosto em alguns sonhos perdidos, ou sem minhas palavras exageradas numa declaração matinal. É inevitável pensar se ainda tenho alguma importância. Porque eu sei que minha intensidade foi real o tempo todo e que não era usual ser repelido. Sempre acreditei em forças complementares.

            Redenção não é um processo fácil. Não é só mais uma palavra do dicionário. É sim, minha atual alternativa de seguir de vez somente no mundo real. E não foi lembrança do parque de Porto Alegre, afinal nunca estive lá.

            “O inverno está aí… Ele vem te buscar. Ele te faz sorrir. (Mas veste algo quente que o frio vai chegar)”.

(Continua)

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