Mais uma de amor – Parte 4.2 (Final)

Mais uma de amor – Parte 4.2 (Final)

(…) – Oi, Verônica.

            -Olá. Algum problema aí?

            -Não, é só a máscara que soltou – dizia ele, erguendo-se – Obrigado. Bem que a Raissa falou pra eu ajustar isso.

            -Ah, então deu certo, ela te perdoou.

            -É, eu tive essa sorte. Sorte não, acho que foi um presente. Ela é uma garota ótima.

            -Que bom. Bem, eu vou indo. Já estou um pouco cansada.

            -Mas, e você? Como anda?

            -Bem, obrigada. A vida tem que seguir em frente.

            -Certo, está certo. E você está de carro ou quer que eu chame um táxi. Um minuto e eu providencio. Sem problemas.

            -Não vai precisar. Vou me despedir do Tony e ir atrás do meu namorado. Ele foi até lá dentro, mas está demorando um pouco.

            -Desculpe, eu não…

            -Não tem por que se desculpar. Começamos há pouco, mesmo. Essa foi a primeira festa em que viemos juntos.

            -Até mais, então – disse Maurício, beijando-lhe o rosto.

            -Tchau.

            Na sala de estar, Raissa se recostava mais no sofá sorvendo devagar um copo de suco para recompor-se. A noite estava quente e pedia algo refrescante:

            -Ainda gosta de suco de uva?

            -Luca? Tudo bem? – cumprimentava Raissa, com ares de espanto e um certo brilho no olhar.

            -Tudo bem? E tu, digo, você?

            -Estou bem, também. Bem, também, péssimas essas coincidências de som.

            -Normal. Bom te ver assim, feliz. Seus olhos não me enganam. É um trabalho bem realizado ou…

            -Eu e o Maurício, estamos tentando. Quer dizer…

            -Estamos sempre tentando – e Luca cortava seu pensamento – Eu também, estou tentando. A vida segue e fica melhor quando tem algo de aventura, não?

            -Acho que eu não diria aventura. Talvez um encanto, um coração disparando…Pela pessoa certa, então, é ainda melhor.

            -Então acho que vou continuar te procurando por aí.

            -A mim? – indagava, encabulada.

            -Eu vou continuar a procurar, só te digo isso.

            -O que você quer que eu diga? Eu sou péssima em momentos assim.

            -Não diz nada. Melhor, até mais! A gente se tromba por aí, guria.

            -Está certo. Beijo, guri. – Raissa levantou para beijar-lhe o rosto e ele partiu.

            Elisa percebeu a conversa de longe e se aproximou da amiga para saber do que se tratava:

            -Oi, Raissa.

            -Fala, Lisa.

            -Não, fala você? Como foi com o Luca?

            -Já foi, você sabe. Só conversamos, como amigos.

            -Como amigos? Arrancou essa página do livro.

            -Não, mas preciso passar adiante. Cada coisa no capítulo certo e sem voltar atrás.

            -Amiga, belas palavras. Mas acho melhor voltarmos pra nossa festa e dançar mais um pouco.

            -Sei, sei. E tem um estudante de inglês lá te esperando, não é mesmo?

            -Sim, sim. E uma dose de gim pra te acompanhar.

            As duas riram dos próprios gracejos e voltaram para a festa de confetes e serpentinas.

            Raissa buscou seu par para caírem juntos na folia e viu de longe um novo casal, assim como Maurício, sem vontade de voltarem ao passado. Os novos companheiros eram Luca e Verônica, saindo da festa para continuarem um festejo particular ou se desligarem em algum momento e continuarem tentando outros caminhos. Curioso era vê-los juntos, tão diferentes e tão próximos com as mãos dadas e trocando sorrisos, tentando encontrar seu Romeu, sua Julieta, Simão ou Teresa.

            O Romeu e a Julieta de nossa história, definitivamente, perceberam que amores aparecem sem uma procura necessária, apenas acontecem. E nem sempre são necessários poemas de amor de métrica perfeita, noites sem dormir ou encontros perfeitos marcados por um destino especial. Raissa não precisaria desfalecer febril, vendo seu amado partir ou terem os dois destinos trágicos, adormecendo para sempre por cálices e adagas. Eles precisariam, apenas, passar por beijos em alto som, tapas marcantes, encontros e desencontros, rivais, amores antigos, grandes amigos e o mais importante, saber passar por cada fase aproveitando seus momentos para um romance romântico, mas real.

            -Eu disse que eu te amo? – perguntou Maurício.

            -O que? – Raissa fazia-se de desentendida.

            -Eu disse que te amo?! – Maurício aumentava o tom da voz.

            -Eu te amo!

            Raissa fitou-o e ficou em silêncio, uma longa pausa, suficiente para que deixassem de ouvir o som alto do ambiente e se unissem em mais um beijo de amor. Eles se olharam, abraçaram-se e disseram juntos, um para o outro, numa voz sumida, quase sussurrada:

            -Eu te amo.

            Elisa e Tony olharam o casal, finalmente unido e dessa vez a amiga tagarela, ficou sem palavras e teve de concordar com a repetida frase de seu namorado:

            -Mais uma de amor.

 

           

           

           

 

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