Mais uma de amor – Parte 4.1

            Mais uma de amor Parte 4.1

             São Paulo, 04 de março de 2003 – terça feira. É Carnaval, Raissa prepara-se para a festa na casa de Antônio, desta vez com ares tradicionais com muita serpentina e marchinhas antigas mesclando-se às novidades do moderno gosto popular. Dessa vez o evento é organizado com as interferências de Elisa, dando seus palpites – tal como a sugestão do uso de máscaras – no evento particular mais concorrido na região. Amigos da época do colégio se reencontravam ali, uma vez por ano para contar suas novidades e aproveitar-se do clima festivo para se desligar da atmosfera agitada da cidade.

            -Fala, Elisa. Tudo bem?

            -Estou ótima. Está tudo certo pra festa, hoje?

            -Com certeza, o Maurício ficou de me buscar lá pelas nove – uma leve olhada no relógio de pulso – São oito horas agora, eu entro no banho daqui a pouco e pronto.

            -Lá pelas nove…E sua pontualidade britânica?

            -Estou aprendendo, nada tem hora certa para acontecer. Nem…

            -Por favor, depois da festa você tem sua diversão particular. Não vai desprestigiar minha estréia nos eventos da família do Tony.

            -E quem disse que eu estava falando de…

            -Sei, sei. Brincadeira, mas venha, por favor.

            -Ah, você já está aí?

            -E achou que eu ia perder o movimento crescendo? Não, mesmo.

            -Beleza. Até mais tarde. Tchau!

            -Bye, bye.

            Raissa desligou o telefone e tratou de se arrumar. Banheira, espelho, maquiagem, vestido, máscara.

            -Já vai – Raissa ia atender à campainha.

            -Oi, Rá. Pronta?

            -Quase, só falta o batom e…

            Maurício não a deixou terminar a frase e a beijou terna e demoradamente.

            -Pode passar o batom, agora.

            -Engraçadinho. Ah, e aperta bem essa máscara que está soltando o elástico.

            -É você que derruba o toureiro aqui. – ironizava, com um sorriso cínico.

            Raissa passou o batom, pegou a bolsa e se foram. Portões, estacionamento, jardim, já estavam em meio ao frenético clima do carnaval. Lisa e Tony não tardariam a receber seus convidados:

            -Olá! Já estão no clima da festa?

            -Acabamos de chegar, Lisa. É pedir demais.

            -Gostei dessa cara nova pra festa, Tony. Marchinha, serpentina. Até que a Lisa teve uma boa idéia. – intervinha Maurício.

            -Querido, eu normalmente tenho boas idéias. Se não fosse eu a Raissa não estava aqui com você, não. – alfinetava Elisa.

            -A Elisa mandou bem, mesmo. O pessoal até que está curtindo dançar umas marchinhas, também. – observava Tony.

            Animação não faltava aos convidados, aproveitando a festa ao som alto lançado pelas caixas acústicas e regados pelo clima amistoso.

            Os meses passados haviam servido para Lisa e Tony darem cores mais vibrantes naquele amor tranqüilo e Raissa e Maurício tentavam habituar-se aos modos de cada um, em meio a atitudes mais racionais da jovem e aos rompantes do rapaz, mantenedor dos matizes marcantes da adolescência como grande vibração por alguns minutos de fascínio. Nessa fase já era normal vê-lo colocar anotações no quadro de fotos do quarto e perceber Raissa mais descontraída no cotidiano, cantando sozinha no carro, coisa que não faria sem fechar todos os vidros do automóvel em outros tempos.

            O dia de festa, entretanto, guardava algumas surpresas. Raissa e Maurício se separaram por alguns instantes, enquanto ela descansava um pouco na sala de estar e ele ficava conversando com o primo na pista de dança armada provisoriamente no jardim, onde o som não ajudava muito se fazer entender:

            -O som, vou pedir para o dj dar uma mudada, mesclar mais alguma coisa eletrônica. – dizia Tony, com gestos grandes.

            -Ah, o som. Beleza, melhor mudar porque a pista está ficando vazia – concordava Maurício, falando num tom de voz mais alto.

            -Falou, primo. Até!

            -Falou, Tony. Vai lá!

            Maurício deveria ter levado a Raissa a sério quando ela lhe falou sobre o aperto no elástico da máscara, era a segunda vez que ela soltava-se, e dessa vez caía no chão:

            -Droga! – exclamava Maurício, agachando-se para pegar o adereço.

            -Algum problema?

            Aquelas pernas longas bem torneadas só podiam ser:

            -Oi, Verônica.

(…)

(Continua)

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