Mais uma de amor – Parte 2.6

Mais uma de amor – Parte 2.6

A noite parecia perfeita para fortalecer relacionamentos e causar ensejo para novas aventuras românticas de nossos personagens, ou, diga-se, reviver situações quase boas se não fossem os entraves de um passado recente e de certa forma, desagradável:

-Desculpa.

-Não foi nada…Espera – Elisa olhou o rosto do rapaz com mais cuidado – Antônio?

-Isso. Elisa?

-Não?! Claro! Tudo bem?

-Tudo e você?

-Beleza. Quer saber, melhor sair da pista pra conversar direito, está bem?

-Beleza. Vem.

Antônio puxou Elisa pela mão, naturalmente, sem nenhuma segunda intenção aparente, que transparecesse algum interesse mais profundo. Uma balada, um suco, uma bebida, nada que não saísse do terreno amistoso comum entre jovens saudáveis e solteiros.

-E então, não vai me dizer que veio sozinho pra balada?

-Não, o Maurício está aí também. E um pessoal do escritório.

-É, posso imaginar. O Maurício deve ter arrastado você pra cá, acertei?

-Não. Nos últimos tempos eu que agito esse tipo de coisa.

-Agita, sei. Difícil de acreditar.

-Por que?

-Nada.

-Nada…Fala.

-Não acredito que vou ter que falar isso. Mas, lá vai. Primeiro, a gente se vê de novo depois de anos, aí saímos pra jantar, você me leva pra casa e nada. Nem…

Antônio não esperou Elisa terminar de falar, interrompendo a velocidade alta em que soltava suas palavras. Ele a beijou por alguns instantes, ele a beijou, sozinho, sem correspondência.

-O que você está fazendo? Alguma coisa mudou depois desse tempo todo?

-Você que pode dizer.

-Está bem, vou adivinhar. Você me achou uma garota ótima, mas estava a fim de curtir o carnaval, acertei agora?

-Quase. Conhece a palavra respeito? Não queria a história de uma noite e acabou.

-E você acha que eu sou como, como as garotas que seu priminho e você estão acostumados a conhecer por aí?

-Não, mas você é filha do amigo do meu pai.

-Então você se lembra bem de mim?

-Depois de pensar um pouco e rever umas fotos.

-Férias de julho de alguns anos atrás?

-Isso. Antes da viagem pra Inglaterra.

-Sei, lembro bem do intercâmbio.

-Eu sei.

-Sabe? Por que?

-Porque você lembrou de mim, não sou um bom motivo pra ser lembrado?

-Você está convivendo muito com o seu priminho.

-E isso é bom?

-Ainda não sei.

-E o que você acha de tentar?

-Tentar?

-Quer me namorar?

-Não.

-Não?

-Desculpa, mas preciso de um tempo para me acostumar a um rapaz tão…

-Tão certinho.

-Vejo que se conhece.

-Um certinho pode ser bem agradável, ou não gostou?

-Fala do beijo?

-…

-Melhor começar de novo.

Finalmente, Elisa conseguia começar um romance sem atribulações como o de Raissa. Uma fase de calmaria parecia se fazer presente na vida das velhas amigas. A fase, porém, poderia ser de bons encontros, todavia não necessariamente de um grande amor. Isso não era fato determinante para pessoas acostumadas a deixara a vida acontecer, com pequenas interferências firmes perante as relações desencadeadas ao passar do tempo, pessoas assim como Elisa que eram das que beijavam de olhos abertos sem se punir por não estar sendo romântica o suficiente, mas capaz de se apaixonar em um instante e batalhar por isso, sem medo.

-Aquela é a Lisa?

-Acho que sua amiga se arranjou.

-Hei!

-Desculpa, mas tu, digo, você sabe.

-Sei o que? Ela está solteira, veio sozinha, qual o problema?

-Nenhum, falei demais.

-Eu também acho. Mas dessa vez passa.

-Está bem. Quer saber, acho que ela está certa. Tem que aproveitar a noite.

-Isso, aproveitar a noite. Vamos dançar?

-Não, eu falei de aproveitar a noite.

-Eu também. A música está ótima e eu já acabei o meu suco. Vamos.

Blackout total e nada do som do dj tocar. Algum som de microfonia e uma única voz, invadindo o ambiente:

-Fala, galera! Felizmente a noite não acabou, é só um minuto de silêncio dedicado ao fim de um grande amor entre Maurício e Raissa. Volta pro cara, menina. Valeu! Vamos de som!

E tudo voltava ao normal depois de burburinhos e vaias dos presentes. Ou quase, Luca iria querer alguma boa explicação para o que acontecera:

-E então?

-E então o que? Só há uma Raissa aqui, esta noite?

-Você vai concordar que seu nome não é assim tão comum?

-Cara, a noite está ótima, nos divertimos até agora e você vai querer explicação do que, não estou com você?

-Até quando?!

-Dá pra falar baixo?

-Quem se importa se eu estou gritando?

-Eu me importo. Você vai estragar tudo agora?

-Tudo o que?

-Quer dizer que a gente estar junto não é nada?

-Eu não quis dizer isso. Desculpa.

-Desculpa, simples assim?

-Simples assim? Ou vai querer que eu me ajoelhe ou peça para o dj baixar a música pra eu te fazer uma declaração?

            -…

            -Desculpa, vai? Não vai acontecer de novo. Agora eu acredito, pode ser qualquer uma aqui chamada Raissa.

            -Sabe que, agora, eu acho que não? E adoraria se alguém tivesse feito isso por mim.

            -Seu humor voltou, de repente?

            -Pois é.

            -Calma gurizada, não vão brigar à toa – chegava Elisa tentando amenizar o clima entre o casal – Que tal voltar pra pista?

            -Quem disse que estamos brigando, Lisa? Eu estou ótima. Sério mesmo, estou ótima.

            -Raissa, vamos conversar. A gente sai, vai para outro lugar.

            -Depois, pode ser. Já volto, preciso ir até ali com a Elisa. Se importa…Tony?

            -Oi, tudo bem?

            -Tudo bem. Vamos, Elisa?

            -Acho que vocês são sociáveis o bastante para conversarem, certo? Tony e Luca, apresentados.

            -Raissa, vou contigo. – impunha-se Luca.

            -Até o banheiro?

            Luca mostrou-se sem graça, mas com ares de algum mau humor, ainda presente, resolveu esperar por ali, afastado da pista de dança:

            -E aí, beleza?

            -Luca, beleza cara.

            -Caramba! Está até parecendo coincidência de filme, cara. Outro dia encontrei o Maurício, num restaurante.

            -Legal.

            -E ele, veio pra cá também?

            -O Maurício? É, não sei. Não falei com ele hoje, sabe.

            -Ah, está certo.

            -E a guria, faz tempo que estão juntos?

            -Não, começamos hoje. Eu acho.

            -Acha?

            -Sabe como são essas coisas. A gente está junto hoje, mas pode não estar amanhã.

            -Pessimismo seu.

            -Pessimismo, não. As relações não costumam durar tanto, quando ainda podemos considerar assim. Acho que eu e a Elisa temos de nos conhecer bem, pra saber se é pra valer.

            -Complicado. Eu e a Raissa estamos caminhando, eu acho.

            -Viu o que disse? Eu acho…É assim mesmo.

            -Agora as duas devem estar lá retocando o batom.

            -Não, talvez falando de nós.

(Continua)

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