Mais uma de amor – Parte 2.5

Mais uma de amor – Parte 2.5

(…)

-Oi, Elisa. Sabia que era você.

-Nossa, que moça intuitiva!

-Ah, só pode estar brincando. Alguma vez deixou de me ligar depois de um evento importante?

-Não, claro. Mas, espera…Você chama o garoto de “evento interessante”?

-Garoto? Está longe disso.

-Progressos. Resolveu esquecer de vez a Fera da Zona Sul?

-Calma. Na verdade, resolvi tentar investir um pouco mais nessa coisa de relacionamento, como você diria.

-Eu acho que eu diria quase isso, essa coisa de relacionamento em que você pode se enrolar.

-O que você está pesando? Não é assim, não. Sou uma pessoa séria.

E como pode se esperar de jovens amigas, Raissa acabou por contar a Elisa o encontro, em seus aspectos mais marcantes e necessários para que ela entendesse a situação. Elisa ria muito ao outro lado do telefone e não ajudava, verdadeiramente, na resolução dos conflitos, mas era uma boa pessoa para os comentários irônicos e em animar aos que se preocupavam demais com algumas questões inadiáveis, presentes na vida de qualquer um, como um dia se apaixonar e perceber que nem tudo está sob controle.

-Tudo sob controle, Tony. Ou acha que eu sou louco de pular de uma ponte?

-Acho que nem assim ia quebrar o seu topete. Já pensou em algo como uma assinatura de gel, para baratear?

-Você está ficando muito engraçado.

-Aprendendo com você. Mas fala rápido, porque eu estou no trânsito.

-Beleza, cara. Pode ir pra aquela lanchonete do lado da academia?

-Está, mas jogo rápido. Amanhã trabalho.

-Administrar os negócios do papai é tão difícil assim?

-Pára com isso. Eu trabalho. Vou desligar, até mais!

E Elisa não tardava com seus conselhos, ao telefone:

-Isso, Raissa! “Mas vale um pássaro na mão…”.

– “… Que dois voando”. Faz um tempo que não ouço esse ditado, mas tenho que concordar com a frase, palavras sábias.

-Eu acho que tem de arriscar. O guri não é legal?

-Fora me chamar de mimada, até que acho. E foi especial, sabe?

-Saquei! – e ria-se.

Na lanchonete o riso não era recebido com naturalidade, visto que Maurício tinha perdido suas horas de prazer e os momentos de escapismo:

-Engraçado, né? Claro, não é com você.

-Sério, cara. Não tem como não dar risada, quem já pensou um cara como você vir se lamentar com alguém por causa de uma garota?

-Garota, ela é uma mulher linda.

-Olha só, até suspirar você suspira.E a Verônica, não pode ser?

-A Verônica? Não te falei do que ela fez no restaurante?

-Sim, falou. Só que ela sempre volta, numa boa. Sem medo de ser feliz.

-Lá vem você com essas frases prontas. Sem medo de ser feliz. Medo, eu?

-Tudo bem. Falando sério, agora, esquece a garota. Volta para a Verônica e se diverte. Ninguém volta no tempo. Daqui a pouco, já foi! Não volta mais!

-Fácil, fácil…Já me diverti com a Verônica, sim, esse tempo todo que estamos juntos.

-Então?

-Então que não rola mais isso. Ir ficando só…

-Só por…

-Você sabe. A Verônica é passado, foi presente esse tempo, mas não é futuro. Daqui a pouco, ela mesma vai cansar disso ou vai achar um cara legal de verdade e pronto. Bye, bye, Mau!

-Você está mal mesmo. E o outro não reclamou de você ir falar com a Raissa?

-Sabe o Luca?

-O que tem ele?

-Ele era o outro com a Raissa.

-Cara, ficou mal pra você. Até ia dizer pra você investir mais, insistir quem sabe, mas assim. O Luca…Já era!

-Quem disse? Eu não sou homem de desistir assim, não.

-E então?

-Aguarde. A fera atacará novamente.

Poderia ser, até que de algum modo, simpático o jeito como Maurício procurava resolver seus problemas e encarar a vida, suavemente, sem desesperar-se. O curioso, porém, é que embora safo para sair de certos limites impostos pelos atos conjuntos das pessoas, desta vez ele caíra de verdade nos encantos de uma garota, como ele costumava dizer “minha garota”, a questão tornava-se difícil apenas, quando ele lembrava tratar agora com uma mulher inteligente e voltada a assuntos distantes das futilidades, presentes nas noites de companhias agradáveis por algumas horas de lazer – a que se acostumara no cenário amoroso.

Os dias seguintes transcorreram naturalmente nas vidas de nossos personagens, com direito às rotinas de trabalho e estudos a que estavam acostumados. Raissa empenhava-se ao máximo no trabalho e na faculdade, aproveitando os intervalos para as conversas agradáveis com os amigos.

E como se tratava, ainda, de um namoro recente – era assim que Raissa costumava referir-se a seu relacionamento com Luca – uma balada junto com os amigos da faculdade não cairia mal. Eram quase férias de inverno, julho estava chegando e merecia uma comemoração para os que estavam fechando o semestre da faculdade com boas notas:

-Abalando todas, Raissa?

-Não, não, Elisa. Isso está pra você que está sem namorado.

-Por enquanto, Raissa. Só por enquanto.

-Precisa me falar mais sobre isso.

-Depois te conto. Olha quem vem aí?

-E então, estão curtindo o som?

-Detonando, Luca. Até que o gosto da minha amiga bateu com o seu.

-Bom, Elisa. Muito bom. Vocês nunca vieram aqui antes?

-Não exatamente nessa casa, mas aprovamos a balada da região.

-E você, Raissa, o que achou?

-Gostei. Está ótimo.

-Ah, trouxe um suco pra ti.

-Obrigada.

-Uva. Acertei?

-Na mosca. Progressos, meu bem – alfinetava Elisa.

-Lisa?!

-Estou só elogiando o guri, desculpa, o garoto. Mandou bem. Você não leva a mal, certo Luca?

-Sem problemas. A Raissa já me falou sobre você.

-Estou famosa. Tri-legal!

-Lisa?

-Hora de cair fora. Vou pra pista com a galera. Até!

-Animada tua amiga.

-Muito animada. Mas não liga, fala as coisas sem intenção, entende?

-Entendo. Mas vem cá, vamos passar a noite sem nenhum beijinho?

-Vai dar uma de adolescente agora?

-Quem sabe?

-E se eu não gostar disso?

-Aí não sei, te beijo de novo pra ver se foi apenas insucesso da primeira impressão.

-Já ouviu falar que a primeira impressão é a que fica?

-Já, por isso que eu estou hoje com você.

-Você ainda sabe como me deixar sem graça.

-Só sou sincero. Será que não mereço uma retribuição, uma recompensa?

-Merece um beijo, serve?

Não seria sequer necessário narrar tal cena, beijaram-se longamente e a música agitada não foi capaz de atrapalhar o momento, até porque de certa forma falava de amor – de uma maneira particular a caber em pequenas estrofes e combinar-se com o ritmo dançante.

 

 

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