Mais uma de amor – Parte 1.5

Mais uma de amor – Parte 1.5

Estavam os dois já à beira da piscina com drinques às mãos. Maurício continuava na opção mais evidente, gim, e Antônio escolhera um coquetel de frutas, mais adequado a seu comportamento saudável:

-Escolhi um bom lugar para te tirar da prostração, Maurício?

-É, nada mal para um fim de festas. Acho que andou aprendendo com meus conselhos a respeito das badalações.

-Claro, já ouviu dizer que convivência é tudo?

-Já ouvi dizer que várias coisas são tudo. Vai ver são só frases feitas, mas que de repente caem bem.

-Como a Verônica pra encerrar o dia?

-Oi?

-Oi, Mau. Tudo bem?

Verônica era uma daquelas garotas que faziam questão de se popularizar o mais rápido possível e estabelecer contatos valorosos, os quais lhe garantissem alguma vantagem. Maurício a conhecera durante a faculdade, no intervalo das aulas e após saírem juntos algumas vezes, a garota passou a sentir-se parte integrante de seu grupo de amigos, tanto que mesmo depois do fim do relacionamento relâmpago dos dois, ela continuou a freqüentar as festas e de vez em quando relembravam os velhos tempos, sem compromisso algum, para tranqüilidade de Maurício e decepção de Verônica, que esperava emplacar o romance de vez com suas investidas mais ousadas. Ousadia, a palavra definia bem a velha conhecida dos primos.

-Tudo bem, Verônica. Quem te avisou da festa?

-Fiquei sabendo, por alto. Já conhecia o caminho e não tive como deixar de vir. Sabe que eu sou ligada numa confraternização.

-Ah, então você é amiga de alguém por aqui.

-Esqueceu? Seus amigos são os meus amigos.

-Claro. Vai querer beber alguma coisa? Eu te sirvo.

-Quem sabe, se for do seu copo, qualquer coisa.

-Então, gosta de gim?

A garota tomou o copo ainda nas mãos de Maurício e sorveu o líquido continente, sem esquecer de olhar profundamente em seus olhos e dar seu sorriso largo e fácil a qualquer hora:

-Ainda continuo econômica, como sempre.

-Por beber de meu copo.

-Isso. Mas não se esqueça de que deixo tal economia apenas para algumas coisas.

-Entendo e te conheço.

-Então, já não aproveitou demais da brisa da noite. Poderia me mostrar os aposentos.

-Vamos ver com o Luca se arrumamos algo pra você?

-Lamento informar, primo, mas embora a casa seja grande, já há muitos para acomodar nos quartos.

-Isso não será problema, Antônio. Uma das qualidades do Mau sempre foi a benevolência para com os amigos. Posso ficar com você?

-É…Oi, Luca. Prefere manter aqui só os convidados, digo, pra passar a noite?

-Opa! Mas se a guria tiver contigo, sem problemas.

-Bem…Pode ser, então.

-Valeu, Mau. Estava precisando descansar um pouco. Pode me mostrar o caminho?

-Está bem.

Impossível resistir àquele sorriso, àquele olhar, àquele…Para Maurício, muitas eram os atributos de Verônica a serem enumerados, ainda que não se passassem suas conjecturas de simples atração. Era certo de que não ficaria mais do que o reviver dos bons tempos sem compromisso da época de faculdade, quando Verônica já guardava tal ar envolvente e voluptuoso a invadir suas emoções mais rasas. Logo o abatimento causado pelo insucesso de suas investidas com Raissa ficariam esquecidos perante a figura com quem ganhara a oportunidade de encerrar os festejos do carnaval, em seu significado mais literal. Uma noite e nada mais entre o alto som invasor da madrugada e o brilho das plumas e lantejoulas dos desfiles deixados de lado pelo deleite dos que se esquecem do tique-taque do passar das horas.

-Raissa?

-O que?

-Bom dia, meu am…Verônica.

-Guarde seu beijo pra…Seja lá quem for, não me interessa.

Verônica juntou as roupas de Maurício e colocou para fora do quarto. Poucos segundos para que ele batesse à porta:

-Hei, o convidado na verdade fui eu, então o quarto…

-Só um instante.

A dona do sorriso fácil vestiu-se e quis despedir-se:

-Vem cá.

Aproximaram-se e:

-Hei! Doeu!

-Ótimo. Até mais, querido.

 Uma pequena mordida no canto dos lábios, por lembrança da noite e despertar para o mundo real. Fim de festas e recomeço do curso normal, mais um dia e voltava a rotina diária: empresa, casa, academia. Sua vida era realmente agitada e cheia de compromissos, findados nas tardes de sexta-feira, quando os passeios já estavam praticamente programados para todo o fim de semana, isto é, sem levar em conta os feriados que atravessavam o meio da semana de trabalho e viajava para o litoral para hospedar-se na casa de veraneio da família ou era convidado para as festas dos amigos, como Luca:

-Posso?

-Entra aí, a casa é sua.

-E então, como foi a noite?

-A noite foi ótima, o churrasco no ponto, as bebidas, o pessoal…

-Acho que você não entendeu a pergunta.

-Ah, sei, sei. Desculpa, mandei mal, não é?

-É…Talvez tivesse sido melhor vocês terem ido dar um passeio, mais tranqüilo.

-Desculpa mesmo, cara.

-Tudo bem. O feriado proporciona este clima de…de diversão. Mas, por que a garota saiu batida?

-Sabe quando você está com outra pessoa na mente.

-Cara, trocou o nome?

-Aham.

-Acontece.

-É, de vez em quando a gente dá dessas.

-Bem, vou indo lá pra ver como anda o pessoal. Pedi pra Teresa servir o café para o pessoal, mas acho que devem ter ido direto para a piscina. O céu está perto, o maior sol, nada como um mergulho mesmo.

-Daqui a pouco eu vou lá. Valeu!

-Falou!

Não haviam sido muitos os convidados, apenas os amigos mais próximos, como os que sabem ouvir e dar conselhos, embora o dito popular não esteja de acordo:

-Minha mãe sempre diz: “Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia”. Só que eu acho que não faz mal nenhum recordar, não é?

-Depende, Tony. Recordar o que?

-Você e a Verônica se cuidaram?

-Boa, priminho! O que você acha? Claro que sim, não perdi o juízo que me resta não.

-Ainda bem. E esse negócio vermelho na sua boca? A gata andou te arranhando?

-Não, mordeu mesmo.

Tony riu no mesmo instante.

-Pode rir mesmo. A gata está mais mesmo é para cachorra raivosa, saca?

-Aham. E eu vi essa raiva toda quando ela passou aqui pela piscina e foi embora.

-A Ra…Digo, a Verônica foi mesmo?

-A Verônica foi mesmo. Agora, a Raissa, acho que não. Essa não sai tão cedo da sua cabeça.

(…)

 

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