Parte IX (Cont.)

Parte IX (Cont.)

Consagração dos campeões da “Semana” no Hotel Schneider, tendo como anfitriões os mesmos Edu e Isadora, com a diversão já pronta para os colegas.

Lembro de meu pai ter nos deixado em frente ao hotel, por volta das dezenove horas, Enrico e eu, prontos para mais um dos eventos memoráveis de nossa juventude. Sim, porque as festas no Schneider por motivos relevantes ficaram marcadas, por exemplo por ser o local onde conheci minha primeira garota.

Seguidos os cumprimentos habituais, fui direto à pista de dança para embalar-me nos hits da época, junto aos demais. De lá, podia ver Enrico, cercado por várias garotas interessadas num dos atletas no momento, tentando ser simpático a todas que se aproximavam. A multidão ao redor de meu amigo só diminuiu com a chegada do “trio de ouro”, certamente mais assediado.

-Viu, Gab? Eles chegam e tudo acaba como mágica – dizia contrafeito, Enrico.

-E quem disse que não é magia?

-Você acha mesmo? Mas e se for mesmo, em magia tudo pode…

-…Pode mesmo. Basta querer fazer parte disso.

Renan, Neto e Deco não demoraram a se aproximar e chamar Enrico para as fotos da posteridade. Até eu, acabei compondo o filme até ver Alice adentrar o ambiente.

Acenei de longe e voltei para a pista, me misturando aos outros, tentando talvez me esconder e sabendo ser difícil ser parte de um grupo como aquele.

Passei a noite tentando me encontrar de alguma forma e não pensar em nada mais, até que encontrei uma das garotas do tempo em que procurava encontrar em outra garota o que não teria com Alice, apenas momentos. Ana Cláudia se aproximou e logo sorrimos um para o outro, sem muitas palavras a dizer. Ficamos juntos e curtimos boa parte da noite, ao som alto do ambiente e em meio aos burburinhos. Trombamos em alguém e tive meu momento de comédia romântica, aos modos de Hollywood:

-E aí, Gab? Curtindo a festa? – indagou Deco.

-Com certeza – respondi, lançando um olhar furtivo a Alice.

Só nos olhamos e foi o suficiente para a noite perder um tanto de seu brilho. Minha Helena, baixou os olhos e voltou a me encarar, o que me fez parecer um girassol sem sol e sem esperança de um novo dia raiar para poder seguir sua luz.

Eu e Ana Cláudia nos despedimos como nas matinês do cinema e voltei para casa, com um rosto no pensamento e um texto pronto para ocupar o lugar de algum pranto:

 

Novo sol

A Lua no céu e eu implorando por um novo dia

É a vontade de ter nova chance para não te perder

O medo de vê-la partir de Tróia,

ou da correção da ira de Zeus

Não me abandonem as deusas desse sentimento,

ao mesmo tempo bom e cruel

Clamo às energias do Olimpo

À juventude de Heros,

Que jovem sendo me compreenda

E me dê a força necessária para não lutar sem razão

E persistir se valor houver nisso

E que não me perca por um sentimento vil

Havendo chuva, purifique

Acabe noite, e me deixe tentar. 

 

Eu, ainda sem o “happy end” dos romances e sem perspectiva de qualquer coisa parecida. Como era difícil para alguém de quinze anos, pensar uma saída para seus dilemas e ter momentos lúcidos estando envolto pelos mistérios do que chamam paixão.

Fim da “Semana”, fim de noite, começo de um novo dia e quem sabe eu tentasse novas investidas para minhas ilusões. Quem sabe…

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