Clube 15 – Parte VIII (Cont.)

Capítulo VIII (cont.)

 

Na viagem de volta à São Paulo, não possuía ainda maturidade suficiente para uma grande análise, mas após despedir-me dos outros, entrar em casa e cumprimentar meus pais, subi para o quarto para expressar em meu texto, ainda um tanto pueril, meu balanço da turnê pelas pastagens em “terreno do inimigo”. Resultado: uma mescla de versos brancos e poucas rimas, de uma mente em quase completo estado de formação:

 

  Diário de bordo

 Voltando para casa para proteger-me de meus próprios segredos

Voltando para esta falta de você que chega a preencher as paredes de meu quarto

Voltando…

 

 Curta jornada e longo caminho ainda a percorrer,

E que curta não seja minha memória para arquivar cada byte de nossos momentos

E que nem tão longos sejam os percursos para chegar até você

 

Em meio a tantos clássicos, fui escolher Shakespeare para inspirar minha realidade

 

E te ter por tão pouco, ficar louco

e dar-se de são, para não se entorpecer

Águas de um rio que não vai para o mar,

apenas acaba de volta a um lago de sorriso metálico

 

Palavras para me conter por beijos que não puderam me calar,

Por beijos que não sei mais.

 

E em meu diário, nada de rosa-dos-ventos, cronogramas e escalas, apenas a única coisa a tomar os pensamentos vagos de garoto, a beleza grega de uma lenda viva em território urbano dos tempos contemporâneos. Então ficava a sonhar acordado, pensando em seu olhar perto de mim, em respostas positivas a minhas intenções.

Como fazer alguém entender que uma primeira paixão não significa ser o amor de uma vida inteira, que isso geralmente acontece em filmes românticos e que mesmo assim, os protagonistas sofrem desde os primeiros instantes, para só no final terem uma cena completa com trilha incidental e a melhor luz para focar o grande momento de encontro.

-Acabou, não falo mais nela. Chega de perder tempo com isso.

-Mesmo que isso signifique o seu grande amor? – questionou-me Enrico do outro lado da linha.

-Grande amor. Você este muito bem nas suas piadas. Saudações.

-Está certo. Então pega as coisas que você escreveu pensando nela e joga fora. Pronto!

-Não posso. Isso é documental. Vai ser fonte de inspiração para meu obituário.

-Não fale besteiras. Obituário aos quinze? Espere pelo menos pelos próximos quinze.

-Está certo, mandei mal no que disse. Mas vou tentar…

-Tenta…Tenta a sorte – e riu-se.

-Sorte é o que você vai precisar daqui a algumas semanas.

-Semana de esportes no Santa Marta eu levo fácil, pelo menos em atletismo.

Telefone desligado, após despedidas de “falou!” e “até mais!”.

           

Esportes, a “Semana do Esporte” do Santa Marta, uma parada em meu romance para dar mostras de cavalheirismo e amizade verdadeira. Alice, talvez, figurando como líder de torcida.

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