Clube 15 – Parte I

 Parte I

 

Definitivamente, não há explicação óbvia ou precisa que possa satisfazer a dúvida de saber o que, realmente, nos atrai nas pessoas. Alguns virão a dizer das semelhanças de preferência, englobando música, cores, lugares e até aromas capazes de nos contentar por um instante e outros dirão algo como a razão da química marcante dos animais, o que viria a classificar-se em um envolvimento desencadeado por feromônios, em termos biológicos. O problema, porém, é que no início da juventude, dificilmente se pára a pensar em conceitos quando depois de um dia todo de estudos, ainda tem tempo para discutir o falso brilho da lua ou manter-se atento ao novo hit musical dos românticos. Pior que isso, gastar folhas inteiras com palavras desconexas, a princípio, posteriormente transformadas em ingênuas declarações de um sentimento que ainda não se sabe definir e ao mesmo tempo, recebe classificações variadas dadas por especialistas no assunto a vender revistas nas bancas ou a discutir sua conseqüência na vida do adolescente:

      -E assim, baseado nos últimos estudos desenvolvidos, chega-se à conclusão de que este sentimento que aflige, principalmente, os jovens, dentre suas inúmeras descobertas, dura três anos na maioria dos casos e pode ser considerado uma patologia. Falamos do que realmente o telespectador está pensando, a paixão.

Era esta a fala inicial da repórter no telejornal que ia ao ar no início da tarde. E era simples para um adolescente comum, ouvir aquilo e esquecer-se do mesmo em alguns minutos, mas não foi isso o que aconteceu comigo e entre um dever e outro me pegava a pensar sobre o assunto, tão singelo teoricamente e cheio de minúcias em questões práticas. Não que não me tratasse de um adolescente comum como disse no início do parágrafo, mas talvez perdesse tempo em algumas divagações. Não me lembro do restante do conteúdo da reportagem, até porque se passaram alguns anos e o que posso recobrar na memória é o fato de eu ter me apegado àquelas primeiras palavras e tentar me encontrar diante daquela teoria apresentada entre sorrisos pelos “âncoras” do programa televisivo. Mais tarde comportei-me como os tais âncoras, entre sorrisos, numa reunião planejada pelos líderes da turma, os representantes de classe acostumados a organizar essas festividades para reunir os colegas desde o ginásio. A festa da noite era na casa de um deles, Isadora organizara o salão de festas na cobertura do hotel de seu avô, para juntamente a Edu, seu namorado e companheiro de cargo, receber os calouros do Ensino Médio para o encerramento do bimestre. Sendo eles estudantes do segundo ano, justificava-se a posição de destaque perante os mais novos:

-Olá.

-Oi, Gab, tudo bem? – vinha Isadora, cumprimentando-me com um sorriso largo, a simpatia dos anfitriões.

-Tudo bem. Fala Edu, beleza?

-Tudo bom. Vê se aproveita a festa.

Como eu me comportasse tal um carneiro perdido do rebanho, trataram de me servir logo um copo de refrigerante e levarem-me à mesa dos lanches para ao menos eu manter-me mastigando.

Fazia pouco tempo em que começara a freqüentar essas festas de colégio. E pouco me habituara a animação dos convivas, dançando os sucessos da moda e gargalhando pelas piadas dos populares. Sentia falta de pertencer a um grupo como aquele, mas não me enquadrava de pronto àqueles padrões. Sentei-me numa cadeira próxima a saída do salão, sim, pois era este o meu destino, em poucos segundos, ao menos que meus olhos parassem, minha boca ficasse seca, meu ritmo cardíaco aumentasse e eu entreabrisse meus lábios, paralisado:

-Olá…Alguém aí? – vinha Enrico interromper o meu torpor.

-Oi, Enrico. Tudo bem?

-Na boa. E você, está aí “paradão” olhando para o nada?

Enrico buscou a direção do meu olhar e concluiu, passando a ficha completa:

-Alice, 15 anos recém completos, cabelos castanhos médios, aproximadamente um e sessenta e cinco de altura, bonita e popular, como deu para notar.

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3 pensamentos sobre “Clube 15 – Parte I

  1. Carol K. disse:

    AAAAAAHHHH!!!

    Posta logo a segunda parte, to ansiosa! rs*
    Que esse blog seja o início de milhões de coisas boas pra você, Dav!

    SUCESSO!

    Beijos,
    Carol K.

  2. Taty disse:

    Q bommm…!
    O Primeiro passo…pra um grande Sucesso!

    Vamos agitar esse blog…rss
    Já quero ler a continuação 😉

    Bjs

  3. Taty disse:

    Q bommm…!
    O Primeiro passo…pra um grande Sucesso!

    Vamos agitar esse blog…rss
    Já quero ler a continuação 😉

    Bjs

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